DREAMS

22 01 2009

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MARTIN LUTHER KING DISSE “EU TENHO UM SONHO”. OBAMA DISSE “SIM, NÓS PODEMOS”. E AGORA?
Cada um no seu tempo, na sua época, disse frases que ficaram para a história e que serão sempre a imagem de quem as proferiu. Frases simples, sonantes, que mexem com o pensamento e provocam reação em quem as ouve ou as lê. Ambas as frases foram proferidas em épocas diferentes, com razões diferentes, mas que se tornam próximas e que, no fundo, comungam dos mesmos objetivos e sobre os mesmos pensamentos.
Martin Luther King disse repetidas vezes “I have a dream” (Eu tenho um sonho) durante o seu discurso a 28 de agosto de 1963, em frente ao Lincoln Memorial, perante cerca de 200 mil pessoas que apoiavam a sua causa. Causa essa defendida por Abraham Lincoln que, em 22 de setembro de 1862, publicou a proclamação que concedia a liberdade aos escravos dos estados confederados e que abriu caminho para a abolição da escravatura em todo o país, em 1865.
Cem anos depois, os EUA ainda viviam como se não tivesse havido a abolição, dada a disparidade entre os direitos de brancos e negros e as “cadeias da discriminação”, onde os pobres residiam ao largo da prosperidade, como que exilados na própria terra.
Em seu discurso, Martin Luther King manifestava que o povo americano caminhasse para a liberdade em todos os seus estados, que brancos e negros prosperassem e criassem relações de cooperação e afeto. Luther King pretendia que as propostas de emancipação do povo negro fossem tomadas no Congresso para a chegada não do fim, mas de um outono da esperança. Só dessa forma a Declaração de Independência e o canto do Hino Americano pela liberdade de todos fariam sentido. Dizia no seu discurso “Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não puderem ter hospedagem nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um negro não puder votar no Mississipi e um negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.”
Passados 46 anos deste discurso, a história quase se repete, quando um negro é eleito para a presidência dos EUA e parte do sonho de Martin Luther King ainda continua por se realizar, já que, certamente, muitos negros ainda não estão satisfeitos por algumas das razões manifestadas a 28 de agosto de 1963.
Em 2008 Obama foi eleito sobre grande júbilo e disse “nós acreditamos”. Apesar da realidade ser muito diferente da de 46 anos atrás e de as prioridades dos EUA serem outras, haverá sempre espaço para que, a expressão “we can” se dirija para os problemas de racismo e exclusão social existentes no seio da sociedade americana e que provoca grandes divisões entre as cores e raças.
Nós, que estamos numa sociedade diferente e mais tolerante, muitas vezes temos a idéia de que os EUA são o exemplo de união e liberdade, quando não é. Os estadunidenses estão num novo outono para a liberdade (ainda que indefinido), que deu um grande passo com a eleição de um homem negro. No entanto, falta saber o que será possível fazer e se Barack Obama será o homem que estará à altura do seu povo e se será capaz de realizar o sonho de Luther King.
Martin Luther King disse “eu tenho um sonho” e Obama disse “nós podemos”. Será que esse ‘nós’ poderá de fato realizar um sonho? Fica a questão para que o tempo e a história nos respondam…
(Manuel de Sousa – Jornal de Notícias, Portugal)


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