HINO AO JUIZ – Maiakovski

11 03 2011


Pelo Mar Vermelho vão, contra a maré,
Na galera a gemer os galés, um por um.
Com um rugido abafam o relincho dos ferros:
Clamam pela pátria perdida – o Peru.
Por um Peru – Paraíso – clamam os peruanos,
Onde havia mulheres, pássaros, danças,
E, sobre guirlandas de flores de laranja,
Baobás – até onde a vista alcança.
Bananas, ananás! Peitos felizes.
Vinho nas vasilhas seladas…
Mas eis que de repente com praga
No Peru imperam os juízes!
Encerraram num círculo de incisos
Os pássaros, as mulheres e o riso.
Boiões de lata, os olhos dos juízes
São faíscas num monte de lixo.
Sob o olhar de um juiz, duro como um jejum,
Caiu, por acaso, um pavão laranja-azul:
Na mesma hora virou cor de carvão
A espaventosa cauda do pavão.
No Peru voavam pelas campinas
Livres os pequeninos colibris;
Os juízes apreenderam-lhes as penas
E aos pobres colibris coibiram.
Já não há mais vulcões em parte alguma,
A todo monte ordenam que se cale.
Há uma tabuleta em cada vale:
“Só vale para quem não fuma.”
Nem os meus versos escapam à censura;
São interditos, sob pena de tortura.
Classificaram-nos como bebidas
Espirituosa: “venda proibida”.
O equador estremece sob o som dos ferros.
Sem pássaros, sem homens, o Peru está a zero.
Somente, acocorados com rancor sob os livros,
Ali jazem, deprimidos, os juízes.
Pobres peruanos sem esperança,
Levados sem razão à galera, um por um.
Os juízes cassam os pássaros, a dança,
A mim e a vocês e ao peru.





POÉTICA – Manuel Bandeira

3 02 2011

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.





O MACHISMO DAS MÃES – Raymundo de Lima

17 10 2010

Existe uma relação direta entre machismo e violência contra a mulher? Nas culturas em que o machismo é epidemia social haveria mais casos de violência sobre a mulher? Parece que sim. Basta ouvir as denúncias das vítimas, veiculadas na mídia ou expressadas por uma ativista dos direitos humanos.

Embora vítimas do machismo, as mães não capazes de educar os seus filhos para serem não-machistas. Pergunto-me por que elas não os educam, desde pequenos, para ajudar nas tarefas domésticas, como arrumar seu quarto, lavar os pratos, aprender a fazer um arroz, um café, ou fritar um ovo. Por que as mães de hoje tendem a se submeterem aos filhos autoritários, ou seja, por que são passivas diante da atitude mandona deles, por exemplo, para lhes trazer isso ou aquilo?

Além de obedecer passivamente, há mães que acham bonito ter um filho “mandão”, “durão”, “fodão”. Antigamente – e até hoje – mulheres se submetiam ao autoritarismo “normal” do pai e, depois que casavam, tinham que submeter ao seu senhor e marido. Algumas o chamavam “meu senhor-marido”. A cultura patriarcalista tem o pai como a lei (a “Lei-do-Pai, segundo Lacan); ele é a autoridade; “o pater, designa-se originalmente uma paternidade ao mesmo tempo política e religiosa, e não é senão por via de conseqüência que ela concerne à família” (JULIEN, P. 1997: 43). O poder do pai torna-se um dia o da família, o pater famílias, cuja conseqüência é o dominus, o senhor da casa (domus).

A mãe pode tanto reforçar a imagem de submissão feminina como valorizar indevidamente o machismo precoce do filho.

Hoje, época em que o pai perdeu o seu dominus, porque sua lei – a Lei-do-Pai está em declínio – há um vazio de poder paterno nos lares (domus); as esposas-mães de nossa época são mais autônomas em relação ao marido mas não conseguem preencher o vazio do poder do pai e nem conseguem se livrar das ordens e das imposições dos filhos. Quando uma mãe se cala diante de um “eu quero” do filho, de um “vou sair”, ou da sua falta de respeito por não fazer o que ela lhe pede, pode tanto reforçar a imagem de submissão feminina como valorizar indevidamente o machismo precoce do filho.

Também, me pergunto por que algumas mães “autorizam” o filho denegrir as meninas, chamando-as de bobas, “chatas”, fracas, inferiores? Por que essas mães não educam os filhos para eles serem mais companheiros das meninas, mais respeitosos e “iguais” a elas?

Muitas vezes uma mãe deixa passar uma “brincadeirinha” machista do filho, que Freud denomina de chiste. Por exemplo, “brincar” de fazer da mãe sua “escrava” ou dizer “estou mandando”, são sinais precoces de machismo autorizado com vistas a se transformar em traço de caráter.

Exortam o menino “macho” para ir à luta, ser aventureiro, ser namorador…

A cultura machista tradicional ainda existente em boa parte do planeta leva o todo da sociedade a investir mais nos meninos e rejeitar as meninas. Meninos, nessa cultura, representam mais força física para sustentar a economia baseada na estrutura de subsistência familiar. Há países cujo machismo é tão cruel que faz das mulheres serem desprezados e serem socialmente invisíveis[2]. No Brasil ainda há casos em que é mais valorizado o nascimento de meninos do que de meninas; alguns não conseguem disfarçar sua admiração mais a um filho porque é homem do que uma filha por ser mulher.

Muitas mães ainda educam os filhos para não demonstrarem emoções, reprimirem o choro, o medo e a dor. Pouco a pouco eles aprendem a silenciar seus sentimentos, emoções, desejos, falhas de desempenho. Quando adultos, suportam carregar a “couraça caracterológica” que o protege e também o aprisiona. Já as meninas são autorizadas a chorar, devem ser boazinhas, subservientes, obedientes, dependentes. Sempre. Desde cedo, alertam as meninas para ter muito cuidado com os meninos “terríveis”. Exortam o menino “macho” para ir à luta, ser aventureiro, ser namorador… De modo que, quanto uma adolescente fica grávida a responsabilidade dificilmente atinge o rapaz educado de modo machista. A educação não-machista dos meninos faria deles pessoas mais responsáveis na condução da sua vida e dos outros também.

Parem de fazer do filho um machista, porque a vítima pode ser a você.

É verdade que o pai sempre contribuiu para reforçar o traço de machismo na personalidade do filho. O complementar do machismo é o “marianismo” (MATARAZZO, s.d.: cap. 8). Com a mudança dos costumes, um pai aparentemente liberal deixa passar nos chistes e nas conversas reservadas a preferência por um filho “durão”, mas tem dificuldades de lidar com o seu lado sensível. Por exemplo: um pai deu um carro para o filho após terminar o “terceirão”, mas não teve a mesma atitude generosa de reconhecimento para com a filha, que entrou num concorridíssimo curso de uma prestigiada universidade. Como será que ela se sentiu? Outro caso, um pai não conseguia valorizar a escolha do filho por uma faculdade ligada às artes, não porque ele entendia ser uma escolha “feminina”, mas porque não tinha mercado garantido. Aqui, o mecanismo de racionalização e aparente pragmatismo, camuflam o seu machismo.

Há pais que não poupam carinho “de graça” para os seus filhinhos, enquanto as filhas precisam tornar-se visíveis para receber algum afeto positivo. O fato de as meninas serem mais carentes não é totalmente negativo para o desenvolvimento de suas personalidades porque essa falta essencial pode gerar nelas um forte desejo de estudar e de se esforçar para ganhar a concorrência profissional.

As mulheres são hoje quase 60% das vagas nas faculdades do Brasil. Elas hoje ultrapassaram os homens ocupando vagas nas universidades e se destacando nas diversas profissões de nível superior. Contudo, ainda há um número significativo de mulheres que terminam desistindo de fazer carreira profissional porque os valores machistas assimilados exercem pesada influência nelas para terem como única meta de vida um bom casamento, ou seja, para serem dependentes eternas de um marido “machão”. Novelas de época, como a atual “Alma gêmea”, demonstra tais valores sendo predominantes.

Meu recado para as mães é: parem de fazer do filho um machista, porque a vítima pode ser a você, a família, toda a sociedade e ele próprio.

Raymundo de Lima é Psicanalista, Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo

FONTE: http://bulevoador.haaan.com/2009/10/05/o-machismo-das-maes/





O GRANDE PLEITO CÍVICO – João Ubaldo Ribeiro

3 10 2010

Ainda peguei o tempo em que, em dia de eleição, os jornais estampavam um sentencioso editorial com o título acima, ou bem semelhante.

Fazia parte de uma coleção estabelecida, estoque de qualquer redação bem preparada. Havia editorialistas famosos por sacarem da gaveta o artigo apropriado para a data, o qual, depois de sofrer algumas alterações cosméticas, voltava a ser publicado.

Nunca de fato testemunhei essa prática, mas existiam, sim, os editoriais padrão. Lembro com particular afeto o “Evoé, Momo!” do sábado de carnaval, o “Esperança que se Renova” do primeiro do ano e o “Tempo de Meditação” da Quaresma. Eu mesmo perpetrei diversos, em cada uma dessas categorias, meu passado me condena.

Atualmente, acho que, para dias de eleição, o modelo mais em uso é o “Festa da Democracia”, mas não foi por saudosismo que preferi o pleito cívico, foi por causa do clima que percebo em torno. Posso estar percebendo mal, mas não vejo festa no ar, não vejo vibração, a não ser com pinta de falsificada, não vejo real empenho em ninguém, exceto nos candidatos. Não conversei com ninguém que vá votar com entusiasmo ou mesmo torça fervorosamente pela vitória de algum candidato. A impressão que se tem é que a maioria vota porque o voto é obrigatório e não acredita que ele vá mudar nada, tanto faz como tanto fez.

Não é festa nenhuma, é o cumprimento de uma tarefa felizmente tornada cada vez mais fácil e rápida.

Não sei por que isso acontece, não sei se alguém tem uma resposta satisfatória.

Mas é fácil imaginar alguns tipos de eleitor, como, por exemplo, o de quem vai votar apenas porque é obrigatório.

Provavelmente, o que está na cabeça dele é que, não importa em quem ele vote, vão continuar roubando e se locupletando do mesmo jeito, sem que ninguém jamais seja punido ou devolva o que furtou. Pelo contrário, os poderosos sobem cada vez mais na vida, engordam, ficam ricos, suas famílias prosperam, seus correligionários se empregam, seus amigos mamam o que podem. Os privilégios e mordomias permanecem e quem quiser que encontre um jeito de entrar no circo e tirar também sua lasquinha, o dinheiro está aí mesmo, é de quem botar a mão, o resto é conversa e enrolação de meliante.

Às vezes, não parece haver absolutamente exceção alguma, para quem é alçado a um cargo de algum poder, no Brasil: o primeiro móvel de cada um está longe de ser o bem coletivo e ainda mais longe de ser o apego a uma ideologia ou ideal. Mostra a abundante experiência que a primeira motivação de cada um – e talvez a segunda, a terceira e a quarta – não é servir, é se servir.

Todo mundo está farto de constatar, entre surpresas, sustos e decepções, que é assim mesmo e poucos conhecem um homem público que não tenha ficado bem de vida em alguns anos de carreira.

Os candidatos, em grande parte, viraram mercadorias, vendidas quase como sabonetes e agindo que nem bonecos de ventríloquos, como quando carregam um ponto eletrônico atrás da orelha e têm suas respostas sopradas pelos marqueteiros.

A conversa no fundo é a mesma, a suspeita de mentira ronda a todos, as promessas grandiloquentes jorram em cascatas, números e estatísticas são lançados tão ao deus-dará quanto confete. A propaganda na TV é uma sucessão grotesca e confusa de semblantes intercambiáveis, os partidos políticos há muito não querem dizer nada e são meras plataformas para o encaminhamento de interesses quase sempre subalternos, de que se troca lepidamente, diante de vantagens pessoais oferecidas por outras.

Antigamente, o Brasil precisava de reformas e se usava a expressão “reformas de base”. Nunca foram feitas, mas, de repente, parece que já foram todas realizadas, pois ninguém fala mais nelas.

Podemos não haver notado, mas já devemos ter feito, sem ordem de importância, a reforma tributária, a administrativa, a penal, a judiciária, a política e assim por diante. Esta última, então, nem se fala porque ninguém acredita que o Congresso vá produzir leis que afetem seus privilégios. Pelo contrário, deverá fortalecê-los, para resistirem a possíveis futuros ataques.

Quanto às outras, iriam prejudicar aqueles que, no estado atual de coisas, estão se dando bem. Portanto, as famosas reformas deverão continuar a ser mencionadas conforme a necessidade e esquecidas conforme a tradição.

E, na outra ponta do espectro, que eleitor se pode imaginar, saindo para a festa da democracia, neste que espero ser um belo domingo de sol primaveril? É o que nem viu campanha na TV e, se viu, não entendeu. Vai, mais uma vez, votar errado, segundo a ótica de observadores cheios de si. Vai trocar o voto por dinheiro, por uma “colocação” ou emprego, por uma dentadura ou uma intervenção cirúrgica.

Ou tem medo de que a bolsa família desapareça tão inexplicadamente quanto surgiu.

Ou ainda, no que acredito ser a maior parte dos casos, precisa continuar em bons termos com os poderosos de sua área, de cuja boa vontade depende para obter o que a lei diz ser seu direito, mas a realidade mostra que é favor, dependente da generosidade desses poderosos. Quer dizer, vai, na minha opinião, votar com absoluta correção.

Aproveita-se do voto na única ocasião em que ele lhe tem alguma serventia.

E, como o seu equivalente mais bem situado, também acha que todo mundo rouba e então se garante logo e pega o que está à disposição.

Bem, a situação, afinal, talvez não seja tão feia assim, estas tintas estão meio carregadas. No boteco mesmo, na semana passada, a eleição interessava a muita gente. A aposta em que vai haver segundo turno estava pagando um chope e meio por um. E até as eleições que virão depois da de hoje eram antecipadas com ansiedade. Deve ter feriadão, era o comentário geral.

FONTE: O Estado de São Paulo – 03/10/10





A HISTÓRIA DAS COISAS

11 08 2010

Este vídeo mostra os problemas sociais e ambientais criados como consequência do nosso hábito consumista, apresenta os problemas deste sistema e mostra como podemos revertê-lo, porque não foi sempre assim.





A ELEGÂNCIA DO CONTEÚDO – Martha Medeiros

18 07 2010


De ferramentas tecnológicas, qualquer um pode dispor, mas a cereja do bolo chama-se conteúdo. É o que todos buscam freneticamente: vossa majestade, o conteúdo.

Mas onde ele se esconde?

Dentro das pessoas. De algumas delas.

Fico me perguntando como é que vai ser daqui a um tempo, caso não se mantenha o já parco vínculo familiar com a literatura, caso não se dê mais valor a uma educação cultural, caso todos sigam se comunicando com abreviaturas e sem conseguir concluir um raciocínio. De geração para geração, diminui-se o acesso ao conhecimento histórico, artístico e filosófico. A overdose de informação faz parecer que sabemos tudo, o que é uma ilusão, sabemos muito pouco, e nossos filhos saberão menos ainda. Quem irá optar por ser professor não tendo local decente para trabalhar, nem salário condizente com o ofício, nem respeito suficiente por parte dos alunos? Os minimamente qualificados irão ganhar a vida de outra forma que não numa sala de aula. E sem uma orientação pedagógica de nível e sem informação de categoria, que realmente embase a formação de um ser humano, só o que restará é a vulgaridade e a superficialidade, que já reinam, aliás.

Sei que é uma visão catastrofista e que sempre haverá uma elite intelectual, mas o que deveríamos buscar é justamente a ampliação dessa elite para uma maioria intelectual. A palavra assusta, mas entenda-se como intelectual a atividade pensante, apenas isso, sem rebuscamento.

O fato é que nos tornamos uma sociedade muito irresponsável, que está falhando na transmissão de elegância. Pensar é elegante, ter conhecimento é elegante, ler é elegante, e essa elegância deveria estar ao alcance de qualquer pessoa. Outro dia conversava com um taxista que tinha uma ideia muito clara dos problemas do país, e que falava sobre isso num português correto e sem se valer de palavrões ou comentários grosseiros, e sim com argumentos e com tranquilidade, sem querer convencer a mim nem a ninguém sobre o que pensava, apenas estava dando sua opinião de forma cordial. Um sujeito educado, que dirigia de forma igualmente educada. Morri e reencarnei na Suíça, pensei.

Isso me fez lembrar de um livro excelente chamado A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, que conta a história de uma zeladora de um prédio sofisticado de Paris. Ela, com sua aparência tosca e exercendo um trabalho depreciado, era mais inteligente e culta do que a maioria esnobe que morava no edifício a que servia. Mas, como temia perder o emprego caso demonstrasse sua erudição, oferecia aos patrões a ignorância que esperavam dela, inclusive falando errado de propósito, para que todos os inquilinos ficassem tranquilos – cada um no seu papel.

A personagem não só tinha uma mente elegante, como possuía também a elegância de não humilhar seus “superiores”, que nada mais eram do que medíocres com dinheiro.

A economia do Brasil vai bem, dizem. Mas pouco valerá se formos uma nação de medíocres com dinheiro.

*Fonte: Jornal O Globo de 06/06/2010





Alguma coisa ela fez

2 07 2010

O assassinato de mulheres não ocorre por acaso.

Parece ainda haver um consentimento social, em certas comunidades, para que os homens sejam machos agressivos e exerçam seu direito de estabelecer uma relação de dominação sobre suas companheiras (?!). O extremo dessa situação de violência, que comporta controle e subordinação, resulta no homicídio, solução final irresistível, em função da tolerância de códigos estabelecidos ou consentidos que legitimam o direito do homem sobre a mulher que tenha contestado o seu domínio. Mais uma vez, a ideologia inverte o fenômeno e as mulheres assassinadas são identificadas como co-responsáveis por sua própria morte.

Há um consentimento social para que os homens agressivos sejam agressores e, por conseguinte, a responsabilização das mulheres pela situação é necessária: de antemão, são treinadas para sentir culpa. Alguma coisa ela fez… Mesmo que tenha sido ligar para o Disque-Denúncia.

*Zeca Borges é superintendente do Disque-Denúncia (2253-1177)

Fonte: http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/posts/2010/07/01/alguma-coisa-ela-fez-304784.asp